Evite espalhar espécies indesejadas dos animais de estimação para a natureza

Evite espalhar espécies indesejadas dos animais de estimação para a natureza

Em Portugal, é cada vez mais comum termos animais de estimação exóticos – peixes tropicais, tartarugas, aves, répteis e plantas aquáticas vindas de outras partes do mundo. Estes seres podem trazer alegria e curiosidade ao nosso dia a dia, mas representam um risco sério se forem libertados na natureza. Espécies que não pertencem aos ecossistemas portugueses podem causar desequilíbrios, competir com espécies nativas, transmitir doenças e alterar habitats. Por isso, é essencial que cada dono de animal de estimação aja com responsabilidade e evite que o seu animal ou plantas associadas acabem no meio natural.
Porque é que isto é um problema?
Quando uma espécie que não é natural de Portugal é libertada no ambiente, pode adaptar-se e multiplicar-se rapidamente. Muitas vezes, não tem predadores naturais e acaba por dominar o espaço, prejudicando as espécies locais. Um exemplo conhecido é o da tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta elegans), que foi durante anos vendida em lojas de animais. Muitos donos libertaram-na em lagos e ribeiras quando cresceu demais, e hoje é uma das espécies invasoras mais problemáticas, ameaçando anfíbios e aves aquáticas.
Também peixes e plantas de aquário podem causar danos. Algumas espécies tropicais conseguem sobreviver surpreendentemente bem em águas portuguesas, especialmente nas regiões mais quentes, e podem alterar o equilíbrio ecológico. Mesmo pequenas porções de plantas ou ovos de caracóis libertados com a água do aquário podem iniciar uma invasão.
O que diz a lei?
Em Portugal, é proibido libertar na natureza qualquer animal ou planta que não seja originário do território nacional, sem autorização das autoridades competentes. Esta regra aplica-se a todos os tipos de animais de estimação, incluindo peixes, répteis, anfíbios, aves e plantas aquáticas. A violação destas normas pode resultar em coimas elevadas e, mais importante, em danos ambientais duradouros.
A Direção-Geral do Ambiente e da Ação Climática (DGAAC) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) disponibilizam listas de espécies invasoras cuja posse, comércio e libertação são proibidos. Antes de adquirir um animal ou planta exótica, é fundamental verificar se consta dessas listas.
O que fazer se já não puder ficar com o seu animal?
Há situações em que manter um animal de estimação se torna difícil – por falta de espaço, tempo ou condições adequadas. No entanto, libertá-lo na natureza nunca é uma solução aceitável.
Eis algumas alternativas responsáveis:
- Contacte um canil, gatil ou associação de proteção animal, que poderá ajudar a encontrar um novo lar para o animal.
- Fale com a loja onde o comprou – algumas aceitam devoluções ou ajudam a encontrar novos donos.
- Procure grupos de adoção responsáveis, onde pessoas experientes podem acolher o animal.
- Se o animal estiver doente ou não puder ser adotado, peça aconselhamento a um veterinário sobre a melhor forma de proceder.
O mais importante é garantir que o animal não sofre e que não representa um risco para o ambiente.
Cuidado com a água e os resíduos do aquário
A água dos aquários pode conter ovos, larvas ou fragmentos de plantas que sobrevivem fora do tanque. Por isso, nunca despeje a água do aquário em lagos, ribeiras ou jardins. O correto é deitá-la no esgoto doméstico. As plantas e o substrato devem ser colocados no lixo indiferenciado, e não no compostor, para evitar que germinem ou se espalhem.
Pense na prevenção desde o início
Antes de adquirir um animal de estimação, é importante refletir sobre o futuro: quanto tempo vive, quanto cresce, que cuidados exige e se tem condições para o manter. Muitos problemas surgem porque os donos subestimam o compromisso necessário.
- Informe-se bem sobre as necessidades da espécie.
- Compre apenas em lojas ou criadores autorizados e responsáveis.
- Evite espécies que constem nas listas de invasoras ou potencialmente perigosas.
Escolher com consciência é proteger o seu animal e o ambiente.
Um compromisso com a natureza
Ter um animal de estimação é um ato de carinho, mas também de responsabilidade ambiental. Cada vez que evitamos libertar uma espécie exótica, estamos a proteger os ecossistemas portugueses e as espécies que neles vivem. Com pequenos gestos e decisões informadas, todos podemos contribuir para preservar a biodiversidade e garantir um futuro mais equilibrado para a nossa natureza.













